Publicado por: F | Agosto 4, 2008

O submarino

De todos os conflitos o que resta por hora é a calmaria. Da alma a muito entregue a insanidade o que resta é o medo,  a omissão e o desgosto, no entanto a liberdade veio segurar a minha mão e cantar com uma melodia tão embalante que é impossível não segurar em sua cintura e convia-la para dançar. Do amor ( se houve algum) o que resta é a indiferença, ainda que o respeito e a cumplicidade tenham sido preservados.

Como um submarino, vou tecendo meu destino, me entregando a mares desconhecidos. Não são caminhos a ser seguidos, pois eu não uso os pés. Com a minha intensidade estou submersa, mergulhada até o último fio de cabelo, tendo algumas léguas acima da minha cabeça. Não são ladrilhos, pedregulhos ou cimento que controem por onde eu ando, lá embaixo eu posso simplesmente girar, tenho 360º em torno de meu próprio eixo, mas se assim eu desejar posso virar de ponta cabeça, me inclinar;

E quantas espécies novas, algumas me trazem um certo desgosto, de fato, mas estou entregue a milhões de possibilidades, ou até bilhões. Números, o que me importa os números?! Apesar do certo ceticismo que agora carrego me sinto mais firme do que nunca, rigida como um pilar de concreto e quem sá mais feliz. O doce não é tão doce quando não conhecemos o amargo e meu paladar tem se encontrado um tanto quanto refinado.

Já fiquei muito tempo olhando pela minha janelinha estas águas, está na hora de ligar as bobinas de Tesla e navegar.


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