
“Desenvolver força, coragem e paz interior demanda tempo. Não espere resultados rápidos e imediatos, sob o pretexto de que decidiu mudar. Cada ação que você executa permite que essa decisão se torne efetiva dentro de seu coração.”
(Dalai Lama)
Uma fuga para o problema com o qual tenho que conviver: certamente, escrever. Não que eu tenha qualquer dom premeditadamente divino para me expressar, no entanto, de alguma forma isto tem o poder de acalentar.
A síndrome do pânico é uma doença de difícil prognóstico, você tem diversos sintomas e é levado a diversos médicos: clínico geral, cardiologista, neurologista e todos eles dizem que você está sofrendo de uma doença que não está relacionada a fundo psíquico. Equivalente enxaquecoso, labirintite, depressão, problema cardiovascular, você perde anos, suas ações tornam-se duvidosas, a loucura te visita com freqüência e passar mal é praticamente uma função fisiológica primordial em todos os dias.
Quando Monteiro Lobato vai descrever o Jeca Tatu, em suma, no final ele completa: mas o Jeca, não é assim, ele ESTÁ assim. A síndrome do pânico não tem cura, mas há tratamentos adequados que minimizam seus efeitos; eu particularmente não gosto de Psiquiatras, nada pessoal, apenas pela administração de remédios no sistema nervoso central. Pois ora, o meu problema está relacionado a minha mudança de personalidade e se eu quero melhorar porque cargas da água tomarei fluoxitina para também alterá-la?! Intervir no meu sistema nervoso central, me deixar com mais sono e improdutiva? Um tratamento que eu gostei bastante foi o da psicanálise, que para quem não sabe difere da psicologia convencional. A psicanálise é uma especialização da psicologia, com duração de quatro anos, baseada nas teorias de S. Freud. A terapia concentra-se, grosseiramente, em reorganizar sua cabeça, para que possa receber as informações de forma adequada.
Eu acredito que hoje, depois desses quase cinco anos convivendo com a doença, aprendendo a administrar e como lidar, eu já esteja bem mais passível de viver uma vida normal, muito embora, ainda me sinta restrita a acompanhar o ritmo das outras pessoas, parece que eu tenho um tempo que deve ser aproveitado com mais cautela, sem me forçar demasiadamente, pois o stress acarreta crises severas. As pessoas que convivem comigo tendem em certo momento a se acostumar com as minhas crises e considerá-las corriqueiras e de caráter normal, o que é uma pena porque se há algo que eu não consigo é me acostumar com elas, uma vez que cada vez que ‘ataca’, os sintomas tendem a ser diferentes, e as vezes é difícil para que eu lide de imediato.
Apesar dos muitos contras, uma reflexão que eu fiz minha antes e depois da doença, é de que tornei-me uma pessoa que tornou-se mais compreensível, com menos julgamentos antecipados com relação ao próximo. Sinto também, que meu auto conhecimento progrediu muito, sei quem eu sou, conheço minhas limitações, e é exatamente por isso que consigo afirmar, que ainda não cheguei no limite da minha luta, que ainda consigo lutar por mim, por uma saúde mental e física. Há sim como ter o seu cotidiano de volta, se respeitando e se dando oportunidades. E não posso tirar nunca o mérito espiritual: quando me aproximei de Deus, me permiti ser uma pessoa de não apenas pregar valores mas também vivenciá-los e conseqüentemente obtive uma melhora extremamente considerável. Reconhecer os alicerces de um templo permite saber quais são os abalos que este agüenta para que não desabe.